September 25th, 2007 — Uncategorized

Não é fácil, amigos, ter fama ruim é uma praga que ninguém merece. Quer dizer, tem gente que merece, sim, fama de corrupto, de fofoqueiro e de mau caráter, se fizerem jus ao personagem, eu não sou contra. Mas e quando um DJ tem fama de ser popularesco, só porque seu nome integra aquelas listas de melhores DJs do mundo? Como faz pra limpar?
No caso eu tô falando do inglês Lee Burridge. Talvez porque seu disco mais famoso até hoje tenha sido lançado pelo Global Underground e porque ele faça parta da tal da lista de tops da DJ Mag (na posição 30 e poucos), Burridge é frequentemente confundido com um DJ de progressive comercial.
Eu mesma quando recebi os três discos mixados “Balance 12″, que ele lançou faz alguns meses, pensei, “lá vem porcaria”. Até que a “curiosidade venceu o medo” (viu, Regina…) e levei os CDs pra ouvir no carro. Nossa, quanta música boa! E que mixagens espertas! Bom, talvez isso explique a foto deste post, em que Richie Hawtin e Lee aparecem se divertindo, bem amiguinhos. E o Richie deve tá pensando: “pelo menos eu tenho fama de locão, né, Lee, e você ficou com a de cafona”.
Vá atrás: “Balance 12″, vols. 1, 2 e 3.
September 24th, 2007 — Uncategorized

Série de TV pra mim, até uns dois meses semanas atrás, era um negócio chato. Tirando “Vicky”, “Supergatas”, “Alf, o ETeimoso”, “Dallas” e “As Panteras”, que animaram a minha infância, o resto eu sinceramente achava novela pra menino grande. “Lost”, “24 Horas” e todos estes shows rodados em hospitais, zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. E “Sex in The City” era bem-escrita, falava sobre coisas bacanas e engraçadas, mas era americana demais pro meu gosto.
Mas de uns meses pra cá, porém, fui obrigada a pagar a minha língua. Fiquei viciada de um jeito doentio em “The IT Crowd”, série inglesa, do Channel 4, escrita por Graham Linehan. A história é a seguinte: dois ”standard nerds” tomam conta do departamento de TI de uma empresa grande e bem-sucedida em Londres – do que exatamente é esta empresa é um grande mistério. Todos os andares são lindos, bem decorados e têm vistas panorâmicas.
Só que Moss, o gêniozinho, com cabelo afro repartido no meio, e Roy, um irlandês que não gosta muito de banho, trabalham no subsolo do prédio, um lugar horrível, todo mofado. Eis que é contratada a Jennifer, uma inglesa de humor ácido, para comandar o departamento.
Veja aqui parte do primeiro episódio, em que Jennifer é entrevistada para o cargo de chefe de IT.
Nota mil para os textos deste seriado que só tem duas temporadas, mas que já virou mania pra muita gente. No site do Channel 4 dá pra ver os seis episódios da primeira temporada.
Melhor momento da entrevista:
- “Vou te colocar no TI. Porque você disse no seu CV que tem bastante experiência com computadores”
- “Verdade, eu disse. Mas, bom. Emails. Ler emails. Mandar emails. Deletar emails. Eu poderia falar muito mais sobre este tema…”
- “Pode falar”
- “Internet. Usar mouse, mouses. Cliques. Double cliques. A tela, o teclado. O negócio que fica no chão”.
- “O hard drive”.
- “Isso!”
- “Bom, parece que você entende das coisas, então.”
September 21st, 2007 — Uncategorized

Parece coisa do capeta. Estes pirralhos que aparecem na foto são os mestres do scratch DJ Sara, de 8 (oito… não dezoito) e DJ Ryusei, de 5 (isso mesmo). Não acredito?! Então clica na foto e roda o VT…
September 20th, 2007 — Uncategorized

Já reparou que o velho é o novo novo?
Esta frase de efeito mequetrefe tem o seu fundo de verdade. No momento em que tendências musicais se esfarelam do dia pra noite, artistas têm revirado o baú para encontrar seus verdadeiros eus (alô, Shenia).
Veja alguns exemplos: o disco mixado pelo LCD Soundsystem, Fabriclive 36, é uma verdadeira ode aos anos 70 e 80. Tem faixas do Chic, Instant Funk, NYC Peech Boys, Was (Not Was)…
Outro Fabriclive, o de número 33, do coletivo Spank Rock, parece até uma discotecagem de casamento, de tanto hit: começa com “The Breaks”, do Kurtis Blow, depois tem Dominatrix (aquela… “Dominatrix Sleeps Tonight”), Yello (”Bostich”) e, jogado entre uns poucos hits atuais, tem até um momento Alpha FM: “Owner of a Lonely Heart”, do Yes.
Outro que diz textualmente “parem de ouvir estas porcarias de hoje em dia, se concentrem nas raízes” é o lord Andrew Weatherall. Um dos nomes mais importantes da música eletrônica na Inglaterra, DJ dos DJs, Weatherall lança na semana que vem o disco “Sci-Fi Lo-Fi”, uma viagem bastante profunda aos sons que o influenciaram. Vai do rockabilly, com Joe Boot And The Fabulous Winds e The Rebs, passa pelo proto-punk dos Strangeloves, o glitter de T-Rex (”Free Angel”) e chega até os 90 com classe, em faixas do Cramps e Primal Scream. Um discaço compilado por um cara que fez sua história principalmente como DJ de música eletrônica.
Eu vejo este movimento acontecendo nas pistas também. Na Discology, festa que eu faço com o meu amigo Camilo Rocha, tem cada vez mais DJs jovens querendo mostrar seus discos velhos. Não é pra nos gabar, mas o que tem de gente bacana pedindo pra tocar não é brincadeira.
Isso sem falar na modinha da space disco, um nome que eu acho meio besta, porque na verdade o que estes produtores novos estão fazendo é disco music, apenas com aparatos e timbres atualizados.
Então, tá, o baú é a bola da vez. I liiike.
September 19th, 2007 — Uncategorized

Bom, minha gente, nem vou perguntar pro Boffa se pode divulgar, porque eu até já escrevi uma matéria pra DJ Mag, que deve chegar às bancas até o fim do mês, dando todo o line-up do Eletronika.
Confirmadíssimos estão o LCD Soundsystem, o Battles e The Field (este eu já tinha cantado a bola aqui), entre vários nacionais que estão por confirmar – um deles é o novo live do Mau Mau, que deve apresentar as músicas do seu segundo disco.
Eu não sei você, mas com certeza estarei em BH nos dias 16 e 17 de novembro. Mas, que fique claro, LCD também deve tocar em SP e talvez no Rio. Só sei que eu tô louca pra ouvir “Someone Great” ao vivo e em cores.
Tem um boato inclusive de que o James Muprhy vai tocar como DJ na sexta-feira lá em BH. Tudo, né? Eu vou. Quem sabe aí eu consigo tirar uma foto melhor do que esta, com cara de groupie, tirada lá na Phonica, em Londres.
Obs> O que é este V de vitória nos meus dedinhos? Onde está o Sux??!
September 18th, 2007 — Uncategorized

Babado: a dupla francesa Digitalism, que ao lado do Justice, outro duo do país da baguete, vem atraindo as atenções do mundo e sendo chamada de novo Daft Punk, trocou o festival Nokia Trends, onde se apresentaria dia 6 de outubro, pelo Clash. O povo do clube acabou de mandar torpedo dizendo que a apresentação da dupla lá será a única no Brasil. Se alguém souber o que aconteceu, conta aí.
Enquanto isso, vai ouvindo Zdarlight, uma das que eu mais gosto.
September 17th, 2007 — Uncategorized

E a gente achando que só brasileiro é que tava dando um jeitinho de desbloquear iPhones por aí. Esta foto genial foi o Dudu que me mandou. Muito bom!
Tá todo mundo doido por um iPhone, isso não é novidade, né… Mas pagar quase R$ 2.000 por um negócio que custa US$ 400 é foda, hein… alguém fazendo um precinho aí, manifeste-se. Porque pro desbloqueio eu já conheço uma barraquinha quente
September 14th, 2007 — Uncategorized

Cabe na palma da mão. Mas certamente não é muito leve pro bolso: esta belezinha aí da foto se chama Pacemaker, custa 520 libras (uns R$ 2.100) na pré-venda e vem sendo alardeada como a mais nova engenhoca que todo DJ precisa ter. No site do fabricante, tem frases no mínimo intrigantes, como esta de Richie Hawtin: “O Pacemaker é o primeiro player portátil desenhado especificamente para DJs. É uma interface totalmente nova, um verdadeiro passo à frente”.
O lançamento do “marcapasso” é só em novembro, mas já tem um belo buxixo rolando – além do endosso de estrelas como Richie. De acordo com o site do fabricante, trata-se de uma ferramenta que integra mixer e player de música digital – seria o primeiro ”DJ system” de bolso da história.
Bom, vamos a algumas especificações do aparelho: são 120 GB de memória, capacidade para fazer upload e download de sets, touchpad para mixagens, faixa de freqüência que vai de 20 a 20.000 Hz (ou seja, cobre toda a faixa de onda que o ser humano é capaz de escutar), tem controle de pitch, dois canais de saída (lineout e fone), equalizador, rec de mixagens, entre outras coisas.
Ou seja, assim, lendo a bula, parece realmente impressionante. Mais uma vez chegamos à velha questão da função do DJ. Com um aparelho destes, que só falta chulear e pregar botão, parece que até um poodle seria capaz de discotecar. E nem sei se isso é ruim, viu…
September 11th, 2007 — Uncategorized

Já faz seis anos, mas eu me lembro até da roupa que eu estava usando quando vi pela TV as primeiras imagens da catástrofe do 11 de setembro. Era de manhã e eu estava parando o carro no estacionamento quando minha amiga Sil Ruiz me ligou falando sobre o ataque às Torres Gêmeas.
“Como sempre, a Sil exagerada…”, pensei, enquanto subia as escadas para o quarto andar do prédio da Folha – esperar o elevador tinha ficado impraticável. Quando cheguei à redação, meu queixo caiu. O andar estava lotado de gente – uma coisa bem incomum pra uma manhã em qualquer redação -, a maioria com os olhos grudados em alguma televisão.
A imagem na tela era aquela que certamente também ficou grudada na sua retina. Choro, poeira, gente pulando dos prédios. Um tragédia como nem eu nem ninguém jamais havia presenciado ao vivo na TV. Naquele dia, eu tinha chegado cedo porque precisava escrever, para o fechamento do dia seguinte, uma matéria sobre o Sigur Rós, quarteto islandês que eu havia entrevistado uns dias antes.
Além da entrevista, eu tinha que escrever a resenha do álbum Ágaetis Byrjun, que eu já vinha escutando obssesivamente naquelas semanas.
Escrever uma matéria e, sobretudo, uma resenha num dos dias mais tristes da minha vida foi quase uma missão impossível. Enquanto ouvia aquelas músicas profundamente melancólicas no meu fone, as imagens do terror iam tomando proporções cada vez maiores.
Até hoje não sei como consegui terminar o texto.
Fato é que o disco do Sigur Rós, pra mim, virou a trilha daquela merda incomensurável. Apesar de ter gostado muito do CD, nunca mais quis ouví-lo. Até hoje. Ainda agora, é difícil ouvir a música “Starálfur” sem ficar com o estômago embrulhado.
PS – Peguei a música diretamente da fonte, o site www.sigur-ros.co.uk/media/index.php . Lá, além dela, há várias faixas disponíveis para download gratuito.
September 6th, 2007 — Uncategorized

Rolou ontem a primeira das duas “difusões sonoras” de obras do francês Pierre Henry, no Auditório do Ibirapuera. As apresentações fazem parte do 42° Festival Música Nova, o mais antigo das Américas quando o assunto é música contemporânea (eletroacústica, eletrônica, concreta etc.).
Mesmo tendo sido anunciado como “Pai dos DJs” na Folha de S. Paulo, uma chamada mais superpop que a Gimenes, e o festival sendo o gratuito, o auditório estava longe de estar cheio. Tudo bem que Pierre Henry não é o RBD, mas onde estava o povo que reclama que o Brasil não tem eventos legais gratuitos, que só se fazem eventos com naming rights e o caramba? Bom, melhor pra quem foi e não pegou fila e teve ainda o luxo de escolher onde sentar.
Na platéia, várias pessoas com cara de conservatório de música e de TI. Parecia um grande encontro de fãs do ”IT Crowd”, muito legal. No programa do dia 5 de setembro, estavam duas peças de autoria de Henry, porém, ele próprio, como já havia sido anunciado, não estava presente. Como bem disse alguém na platéia, “uma pena o Henry não estar aqui em persona”.
Pena mesmo. Aposto que muita gente se decepcionou ao ver um “difusor” (o aka para regente, maestro, neste tipo de espetáculo) bem mais jovem comandando a mesa de som – no lugar de Henry vieram seu filho, David Henry, além de outro fera em espacialização, Etienne Bultingaire.
A primeira peça da noite, “Labyrinhthe!”, foi escrita em 2003. Para gravá-la, Henry utilizou sons produzidos por objetos musicais que ele ganhou de presente no seu aniversário de 75 anos – cinco anos atrás. Para executá-la, um de seus discípulos, todo de preto, surgiu do palco e foi se instalar numa espécie de house mix, no meio da platéia. No palco, uma iluminação insinuante mostrava a verdadeira orquestra de Henry: 51 caixas acústicas – o programa anunciava 50, mas eu contei duas vezes! - de diversos tamanhos, indo das subgraves às agudas, instaladas de forma simétrica. No chão, eram oito subragraves e seis caixas pequenas. Sobre as subs, oito caixas de médio-grave. Suspensas bem no alto, penduradas a partir do teto, mais 15 caixas. E, no fundo, como se formassem o coro de vozes principais, mais 14 caixas, menores. Todas lindas, de cor bronze.
O show começou às 21h e pouco. Enquanto olhava praquela orquestra imóvel, pensava que meu almoço já havia vencido há várias horas. Era um barulho no palco, e outro na platéia, do meu estômago roncando. A tal da sinestesia, o transe, eu não sei se veio da música ou das alucinações com um salmão gigante, todo bezuntado de pesto de rúcula, que insistiam em me perseguir.
Fato é que as experimentações com timbres e sonoridades, amplificadas com perfeição, cada uma no seu devido perímetro de freqüência sonora, realmente fazem a gente viajar longe. Há mudanças bruscas de atmosfera, há passeios profundos que exploram determinadas regiões sonoras até o limite e há o quase silêncio. Separada por “músicas” cujos nomes são auto-explicativos (”erupção”, “fissuras”), a peça proporciona uma viagem ao centro de nós mesmos, já que não há ação nenhuma no palco – se bem que uma hora eu vi uma baguete surgindo de uma das caixas. O autor conta com a total abstração e entrega do ouvinte para concluir sua obra. E, ao longo de quase uma hora, a abstração foi profunda, sem pára-quedas e muito imaginativa. Sublime.
Depois de um intervalo que mal deu tempo de fazer xixi e de procurar em vão um mísero bebedouro – só porque o evento é de graça, não dava pra ter um puxadinho vendendo água e café? – apenas um terço do público se encorajou a encarar mais uma hora da doideira sonora.
Desta vez, porém, foi muito menos experimental e quase… bobo. A peça “Xème Remix”, de 1998, pega as nove sinfonias de Beethoven para criar o que seria a sua décima, na qual, segundo o programa, ”Pierre Henry imagina o pesadelo do compositor e as alucinações auditivas que ele deve ter tido depois que ficou surdo”. Resumindo: esta era a parte pop da apresentação. Depois da execução de trechos de obras de Beethoven, viria uma espécie de remix das composições, invariavelmente com batidas pesadas e BPM acelerado, lembrando um trance, com sopros de música clássica, vozes infantis e marteladas de fundo.
Aos meus ouvidos, o resultado soou apenas caótico e pouco criativo. Pensei no que Alex, o personagem violento e irônico de “Laranja Mecânica”, teria feito se ouvisse o que Henry fez com seu Ludwig Van. Talvez iniciasse uma obra de caridade para velhinhos e fosse viver numa monastério, em castidade. Eu apenas fui pra casa com uma dor de cabeça…
PS – Agradecimentos à Marcinha Reverdosa, que me emprestou o celular para tirar a fotinho da orquestra imóvel